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Importância do brincar no desenvolvimento da criança “O homem só é homem de fato quando brinca”.(Friedrich Schiller)
Algumas vezes já observei mães e educadores dizendo: Brinca direito, menino! Será que há precisão no brincar? Há uma relação de passos a serem seguidos numa livre brincadeira? Salvo os jogos de regras que, como o próprio nome já diz, são regrados, não há precisão nenhuma na brincadeira. O que pode existir são normas, tempo e espaço predeterminados para que a brincadeira ocorra, mas que são, na verdade, variáveis exteriores à brincadeira em si. O jargão Brinca direito, menino está sempre relacionado à ausência de bagunça ou ruídos e, principalmente, à existência de roupas e brinquedos limpos. Mas, será que podemos interferir em brincadeira de criança? No usufruto do direito de brincar, a criança não precisa brincar direito. A polissemia do termo permite o trocadilho e a reflexão. Mesmo nos referidos espaços com normas e tempo predeterminados – brinquedoteca, lojas infantis, consultórios psicológicos e psicopedagógicos, salas lúdicas escolares – a criança tem o direito de não brincar direito, o que não impede, de forma alguma, a interpretação, a reflexão e o planejamento de sua ação lúdica, por parte dos chamados adultos mais experientes. O jogo e a brincadeira são, com freqüência, percebidos pelo adulto como oportunidades de uma certa liberdade ou, de forma deturpada, como sendo contrários ao trabalho, recebendo, por vezes, a pecha de inúteis. A respeito da inutilidade da infância, já falou Rubem Alves que, ao brincar, ninguém fica mais rico, nenhuma dívida é paga, e isso é verdade. Realmente, o simples fato de estar brincando já é a paga de uma vida inteira.
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Brincar é essencial à saúde física, emocional e intelectual do ser humano. Brincar é coisa séria, porque na brincadeira a criança se reequilibra, recicla suas emoções e sacia sua necessidade de conhecer e reinventar a realidade.Tudo isso desenvolve atenção, concentração e muitas outras habilidades, além de muito, muito prazer em viver e, para isso, a criança não precisa estar brincando direito. Brincando, a criança (re) significa seu mundo – universo já simbólico, posto que o início da capacidade de significar está nas palavras, mas antes, na brincadeira. Enquanto brincam, a criança, o jovem ou o adulto experimentam a possibilidade de se reorganizarem internamente, de forma constante, pulsante, atuante e perene. É brincando que a criança vai interiorizando o mundo que a cerca; na troca com o outro. Ao mesmo tempo em que ela percebe o outro, aprende que não está sozinha no mundo: ali é o espaço da partilha, da cooperação e também da competição, atitudes que surgem e são negociadas naturalmente durante a atividade lúdica...”
Texto da Revista do Professor (Abril a junho de 2004). Marilene Lima (Mestre em Educação).
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