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A boa escola é a que abre espaço para brincar, aprender e viver em sociedade”. “Primeiros passos – É na Educação Infantil que as crianças começam a descobrir o prazer de aprender”.
Quando começaram a procurar uma escola para matricular Helena, a cantora Sônia Mindlin e o músico Luiz Henrique Xavier estabeleceram uma lista de prioridades. “Entrávamos num colégio e prestávamos atenção a todos os detalhes possíveis, da produção das crianças exposta nas paredes ao jeito de falar das pessoas, passando pelo astral do lugar”, lembra Sônia. No começo, a busca foi frustrante. “Achávamos quase tudo pobre, atividades muito ligadas à tv e pouco criativas. “Depois de várias visitas, eles compreenderam porque essa escolha é mesmo uma das decisões mais difíceis na vida dos pais. “Todo os nossos valores são postos em xeque. E é preciso ter muita calma para enxergar isso e saber fazer a opção adequada”... ... A escola é, por excelência, o espaço da socialização. Numa época em que a maioria dos casais tem um ou, no máximo, dois filhos, é no convívio da sala de aula que as crianças vão começar a se integrar com o mundo a sua volta, vão descobrir a importância de dividir com os outros, vão fazer amigos, além, é claro, de dar início ao longo processo de construção de conhecimentos – uma fantástica aventura que, para satisfação dos especialistas, começa nos primeiros anos da infância... ... Números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, órgãos do Ministério da Educação, mostram que as matrículas na Educação Infantil vêm aumentando muito (e de forma consistente); em 1999, havia pouco mais de 5 milhões de crianças de até 6 anos na escola; em 2003, já eram 6,4 milhões em todo o Brasil. Por isso, fazer a escolha certa é tão importante – e tão difícil... ... Os especialistas garantem que difícil é não ter dúvidas. Gisela Wajskop, especialista em Educação Infantil e diretora-presidente do Instituto Singularidades, que forma professores em São Paulo, diz que o ideal é os pais se perguntarem sobre suas demandas mais íntimas e analisar se a escola tem condições de atendê-las. Mas há muitas armadilhas pelo caminho. A psicóloga Marta Picchioni é aluna de Gisela no Singularidades. Em sua tese de conclusão de curso, pesquisou como as lembranças que os adultos guardam da própria infância influenciam as decisões que eles tomam para os filhos. |
Depois de entrevistar mães que moram no Morumbi e têm renda familiar entre R$5 mil e R$ 10 mil, ela concluiu que o discurso, em muitos casos é paradoxal. “Ao mesmo tempo em que dizem esperar que os filhos aprendam de acordo com o próprio ritmo, e que a escola individualize a atenção dada às crianças, o que elas querem é que eles estejam dentro de um padrão predeterminado, que geralmente usa como parâmetro o que primos e amigos aprendem em outras escolas. Embora falem da importância do processo individual, consideram mais importante atingir um resultado padrão, de preferência bem elevado”, diz a psicóloga. Segundo ela, um dos equívocos mais comuns é remeter-se à própria infância ou (o que é ainda pior) à infância que julgariam ideal para si. “Embora lidem o tempo todo com a diversidade da sociedade pós-moderna, muitos pais ainda têm como referência a família nuclear, com pai, mãe e filhos, resquício de um tempo em que os papéis educativos eram bem definidos: à família cabe educar, à escola ensinar somente os conteúdos curriculares. Hoje, isso não existe mais.” Gisela Wajskop completa que o papel da boa escola é trabalhar justamente com as diferentes realidades, não para enquadrar as crianças num padrão preestabelecido, mas, ao contrário, para promover um diálogo democrático e a convivência pautada na diferença...
(Texto extraído da revista Época, edição 333 – 4/10/04)
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